Avaliação Heurística (Modificado em 19 de Outubro)

Setembro 30, 2007 at 9:38 pm (Reviews)


A usabilidade é uma grande questão no que toca à construção de qualquer sistema onde a interacção predomine, como um site. Por causa dessa grande importância, 10 heurísticas (princípios) utilizados para avalizar estes sistemas foram criadas por Nielsen e Molich. Estruturadas, posteriormente, de uma forma mais sistematizada, por Lavery, servem-nos agora para perceber quais os aspectos positivos e negativos em determinados sistemas, no que toca à usabilidade. Desta forma, proponho-me a analisar, outra vez, o site Freemeteo, mas da perspectiva das heurísticas de Nielsen.

1- Visibilidade do estado do sistema

São os utilizadores informados sobre o progresso do sistema com feedback apropriado em tempo razoável?

O site Freemeteo tem mudanças em termos de cores, na tipografia, on mouse over. No menu horizontal, as palavras passam de uma cor clara (branco) para uma cor escura (verde escuro) quando o utilizador passa o rato por cima. No menu vertical, as palavras ficam sublinhadas quando a mesma acção é empregue. No entanto, no conteúdo central “current weather“, ao escolher outros separadores, como “7-day Forecast, o mesmo efeito não se verifica. Além disso, quando se carrega em qualquer dos menus, não há nada que demonstre imediatamente que a nossa acção teve um efeito.

No menu vertical, no “select by region“, quando se clica numa das regiões, um círculo em movimento aparece em baixo enquanto o site carrega o outro menu. No entanto, quando se escolhe a segunda região, o único efeito que nos faz ver que realmente a página está a carregar é a ampulheta à beira do ponteiro do rato, o que nada tem a ver com o site em si.

Esta questão é importante porque a informação sobre o progresso do sistema em tempo razoável permite ao utilizador monitorizar o progresso da tarefa que quer realizar e, assim, reduz a ansiedade.

2 – Ajuste entre o sistema e o mundo real

O sistema usa conceitos e linguagens familiares aos utilizadores? São usadas convenções do mundo real? É a informação visualizada numa ordem natural e lógica?

Como Freemeteo é um site de informação meteorológica, o facto é que não há uma grande quantidade de texto maciço. No entanto, há muita informação, visto que a informação que se pode encontrar é, literalmente, de todo o mundo.

Em termos de linguagens, a única utilizada é a escrita. As imagens não são importantes para a navegação no site. A hierarquia da barra lateral é feita por importância/relevância de certas regiões dentro do contexto do país em que o utilizador se encontra. Um ponto negativo é o facto de só ter seis línguas como possível utilização, apesar da informação disponibilizada ser dirigida para todas as partes do mundo.

Um ponto positivo é que o site reconhece imediatamente o país de onde o utilizador está a pesquisar, e daí apresenta como página inicial, as informações meteorológicas correspondentes à capital do país em questão. No entanto, não há uma preservação das preferências locais do utilizador, pelo que este tem sempre que ir procurar a região que quer encontrar, mesmo que esta seja dentro do país onde se encontra.

Um bom ajuste minimiza um conhecimento extra para se usar o sistema, simplificando todo o mapeamento das tarefas. (Isto é conseguido através de um expressão das intuições dos utilizadores nos conceitos dos sistemas.)

3 – Controlo e liberdade do utilizador

Podem os utilizadores fazer o que querem quando querem?

O utilizador não tem problemas em encontrar a informação que pretende, os menus são de fácil aprendizagem e bastante intuitivos. Também são praticamente imediatos, no sentido de se ter logo um efeito a determinada acção. A página é leve, o que não obriga a downloads longos.

Quando um utilizador se engana na sua escolha ou quer voltar à anterior, a única opção é escolher novamente, não há nenhum “undo” ou “go back“.

Esta questão é importante simplesmente porque os utilizadores, por vezes, enganam-se.

4 – Consistência e Standarts

Têm os elementos de design, como objectos e acções, o mesmo significado ou efeito em diferentes situações?

Basicamente, os menus estáticos vão directamente para o que é esperado. Por outro lado, os menus com “pop-up” têm todos a mesma forma de funcionamento. E, por fim, a imagem do mundo com o nome do site, quando “clicado”, vai para a página inicial destinada ao país de onde o utilizador está a aceder à página.

A consistência minimiza o conhecimento necessário pelo utilizador para usar o sistema ao deixá-lo generalizar por experiências naquele sistema (ou noutros).

5 -Prevenção de erros

Podem os utilizadores cometer erros que um bom design pudesse prevenir?

Em princípio, o design do site em nada dificulta a navegação. Até porque o design em questão é bastante minimalista. Um menu horizontal, e vários verticais. No centro, alguns separadores que levam o utilizador onde é suposto levar. Não há causas para frustrações nesta área pelo menos.

Os erros são a fonte principal de frustração, ineficiência e ineficácia durante a utilização do sistema.

6 – Reconhecimento em vez de lembrança

Estão elementos de se design, como objectos, acções e opções, visíveis? É o utilizador forçado a lembrar-se de informação de uma parte do sistema para outra?

Como já referi, o site é bastante lógico e fácil de usar. Os menus estão sempre lá, iguais, independentemente do local onde nos encontrarmos dentro do próprio site. Isto permite que o utilizador consiga aceder à mesma informação estando ou não na página principal, o que leva a um menos nível de cliques, e, portanto, uma maior rapidez no acesso à informação.

Forçar os utilizadores lembrar-se de detalhes é uma grande fonte de erro. Reconhecimento minimiza o conhecimento necessário pelo utilizador para usar o sistema. Sumarizar comandos ou opções disponíveis permitem ao utilizador perceber o seu significado ou o seu papel.

7 – Flexibilidade e eficiência no uso

São os métodos de cada tarefa eficientes? Podem os utilizadores personalizar acções frequentes e usar atalhos?

Os métodos são eficientes, como já fui explicando durante esta análise heurística. No entanto, como também já referi, o site não oferece formas de memorizar o que é mais procurado pelo utilizador. Não há como personalizar estas acções nem como usar atalhos. Até o login no site não permite aceder imediatamente à informação que é pesquisada mais frequentemente. Serve principalmente para se receberem notificações diárias, por email, sobre as áreas escolhidas.

Métodos de tarefas ineficientes podem reduzir a ineficácia e causar frustração.

8 – Estética e design minimalista

Contêm os diálogos informação irrelevante ou raramente necessária?

Não. Freemeteo leva sempre ao utilizador aquilo pelo qual ele pesquisou. Claro que um utilizador normal não precisa de saber toda a informação que o site contém sobre uma determinada área. Assim, quando a escolha é feita, o site apresenta imediatamente a informação que a maioria das pessoas quer saber, isto é, apresenta os dados meteorológicos do dia da pesquisa. No entanto, disponibiliza o resto da informação sobre aquele local, bastando carregar num dos separadores do menu central, como “7-day Forecast“.

A organização tem o efeito de reduzir o tempo de procura por comandos ou recursos de usuários que faltam no monitor. Utilizadores não familiarizados com um sistema muitas vezes têm que encontrar uma acção que vá de encontro a uma necessidade particular – reduzir o número de acções disponíveis pode fazer a escolha mais fácil.

9 – Ajudar os utilizadores a reconhecer, diagnosticar e recuperar erros

São as mensagens de erro feitas em linguagem simples (sem códigos)? Descrevem precisamente o problema e sugerem uma solução?

A única mensagem de erro que consegui encontrar no site foi quando, propositadamente, me enganei no login. O que aconteceu é que abaixo do painel, apareceu o texto “Error. Please try again“. Não explica qual foi o erro, nem o porquê deste acontecer. Fica bem longe do que seria desejável.

Como já foi referido no ponto 5, os erros são a maior fonte de frustração, ineficiência e ineficácia durante a utilização do sistema.

10 – Ajuda e documentação

É fornecida informação de ajuda apropriada? É esta informação fácil de procurar e direccionada para as tarefas do utilizador?

Em termos de ajuda, o único link que encontro é o do “Forgot your password?“, que está colocado imediatamente abaixo do bloco de login. O mapa do site é relativo à área que previamente escolhemos. Isto é, se eu estou a visualizar a informação meteorológica da cidade da Maia, no Porto, quando acedo ao mapa do site, este vai estar de acordo com a cidade da Maia. O resto das informações, como os termos de uso, os contactos, etc., encontra-se no final na página, como é habitual. Como não encontrei grandes dificuldades na navegação do site, percebo o facto de não haver uma área específica de ajuda, nem de FAQ’s.

Idealmente um sistema não deveria necessitar de documentação. No entanto, pode ser necessária para fornecer ajuda a que os utilizadores precisam de aceder num curto espaço de tempo.

Conclusão

Freemeto é um site que tem como objectivo a utilidade imediata. Por tal, em termos de design, não há muito a dizer. Os menus não são pictóricos, são textuais, não há grandes metáforas com o mundo real, mas neste caso não é indispensável, pois os métodos de acesso aos conteúdos são facilmente reconhecidos. No entanto, para um invisual, por exemplo, seria complicado, penso eu, o acesso aos menus pop-up, mas estes não são a única forma de chegar a um certo conteúdo, pois há locais onde se pode pesquisar por nome. Em termos gerais, o site parece-me obedecer às 10 heurísticas de Nielson, tirando um ou outro aspecto. 

1 Comentário

  1. Bruno Giesteira said,

    Olá Lúcia,

    Temos andado dessincronizados…
    Encontro-me a apreciar os artigos relativos ao “Modelo Conceptual”… Sugiro que os mesmos sejam editados até ao final da semana de forma a evitar esta constante assincronia… ; )

    Em todo o caso, deixo um breve comentário ao actual artigo:
    A análise heurística parece-me bem sistematizada mas, tendo em conta a estrutura de Lavery, falta aferir (para cada heurística de Nielsen…) a relevância dessa mesma heurística no contexto da análise. Por hipótese: “Ajuda e Documentação” pode não ser evidenciado na avaliação todavia, num determinado sistema esse facto pode ser muito relevante e noutro ser perfeitamente dispensável… A estrutura de Lavery confere justamente um carácter mais flexível às heurísticas de Nielsen na análise de sistemas interactivos.

    Bom trabalho!

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